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18.4.08

lições de uma raposa, de um suricato e de um amigo




No mundo do "era uma vez", eu encontrei um príncipe. Ele se tornou meu grande amigo e o seu nome era Phil. De todos os príncipes existentes, ele era o menos encantado, mas era justamente isso que me encantava nele. Um garoto cheio de medos e sonhos. Um garoto real, nos dois sentidos da palavra.

No período em que estive com Phil, percebi que ele inspirara várias histórias de contos de fadas. Algumas que ele mesmo havia escrito. Costumo dizer que ao invés de maldições, como a da maçã de Branca de Neve ou a do sono profundo, posta na Bela Adormecida, ele recebeu um belíssimo dom. Em sua terra é conhecido como "Senhor dos Poemas". Nunca se viu alguém que fosse capaz de brincar com as palavras e fazê-las dançar tão dentro da música como ele (a não ser sua irmã gêmea, que adora brincar de ser feliz). Você não consegue conter a lágrima quando ele cisma em recitar contos de amor.

Aprendi muito com o príncipe, quando passeei ao seu lado pelo mundo dos espelhos. Sem usar uma só de suas palavras mágicas, percebi nele o que um dia uma raposa havia dito a um pequeno príncipe: "só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos". Poderia dizer que quando conheci Phil imaginava-o como um suricato. Conheces um suricato? É um bichinho magrinho, desconfiado de tudo e todos e que adora se esconder quando escuta qualquer som no gramado, que cerca sua toca. Na verdade, ele não gosta muito de se esconder, mas se não o fizesse morreria pelo seu próprio medo de ser engolido por uma hiena, estando fora de seu mundinho. Os suricatos, a primeira vista, não parecem se divertir. Tem uma expressão séria, sempre buscando se proteger. Foi o que imaginei quando coloquei os olhos em Phil. Mas como diria a mesma raposa "por que não tentas ver com o coração?"

Arrisquei por experimentar isso. E foi uma das melhores experiências pelas quais passei. Ele me cativou. Phil não era a pessoa sisuda que aparentava ser, nem possuía tantos medos assim. Era apenas cauteloso e gosto disso nele. Se eu continuasse com a mesma impressão do início não viajaria em suas belas histórias, pois nunca as leria. Tem um humor singelo e acho que seu reino será um dos mais felizes quando se tornar rei.

Agora... Preciso confessar uma coisa. Não foi a beleza, percebida com meu coração, da alma deste príncipe não-encantado, que me fez sorrir. Eu sorri, e continuo sorrindo, ao saber que Phil é meu amigo. Ele não é mais "um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos". Ele é o garoto, que se tornou o amigo. O meu amigo suricato.

Torço por seu reinado, querido amigo... Torço por seus sonhos... Torço pelo seu final feliz.

13.4.08

menina solar



Hoje, venho como mensageiro dos anjos, trazendo notícias celestiais à princesa Solar. Aquela moça, que carrega as estrelas nos olhos e irradia o brilho do Pai. Como essa menina tem o rosto do Rei Sol! É notória a semelhança. Basta apenas olhar para seu sorriso, seus cabelos, os gestos e o amor. Ficam a suspirar os passarinhos ao vê-la dançar junto às crianças, com suas sandálias de sonhos (como diria um de seus bonecos poetas).

Sonhos... São eles que trago nas mãos. Parece que deixastes cair alguns deles enquanto dançava, não é princesa? A música que te embala não esta bem compassada, não é mesmo? Por isso foi possível ver as pessoas andando com guarda-chuvas ao lado. O céu essa semana pareceu nublado e as borboletas não enfeitaram seus cabelos. Triste essa visão.

"Não fique abatida, bela alma". Está amanhecendo e é hora de brilhar. O que seria do dia sem o calor do seu sorriso? Não podes obrigar os outros a ficarem presos para sempre em seus guarda-chuvas. É, eu sei. Hoje você acordou sem força. E não te culpo por estar assim. Apesar de o seu brilho ser mágico, você ainda é humana. E os humanos costumam cansar de seus fardos.

Mas trago boas notícias de seu Pai, que diz estar sem vida ao ver-te sem luz. Ele deseja abraçar-te ansiosamente. Afinal, Ele sabe do que você precisa. Você precisa que Ele te pegue no colo e cante canções para você dormir. Uma boa noite de sono e contos que trazem esperança irão revigorar seus passos dançantes. A voz forte e suave do senhor Sol irá tocar direto seu coração, acendendo novamente o brilho de seus olhos que havia caído junto com seus sonhos. Os sonhos... Estes serão os mais açucarados possíveis, quando seu Pai pensar em dizer "Eu te tomo pela tua mão direita, não precisa ter medo. Eu te ajudo nesses novos passos".

Amanheceu. E junto com a manhã, veio meu sorriso. Pintado com os traços desta nova dança que aprendeste. És mais bela quando vive o brilho de seu Pai. Ele realmente te traz força. E agora você vai, vai. Ser solar, como seu Rei sonhou. Levando a esperança. Fechando guarda-chuvas.

5.4.08

uma das 4 pessoas diz: sentirei saudade!



Vejo teu mundo organizado. Adentro a sala de armários, que ficam guardados dentro do enorme quarto de sua mente. E você, ao me apresentar as repartições dos armários, diz não ser linear na forma de organizá-los, mas direta, absoluta e imparcial. Verde é verde! E não se discute.

Todas as frases escritas de forma artística em pequenos papéis reciclados fazem total sentido em minha cabeça. Pelo menos as que consegui ler. É engraçado, pois sempre depois de uma afirmação existe uma pergunta que leva a outra afirmação e outra pergunta... Até chegar ao ultimo cartão de cada gaveta. Sempre um objetivo, uma teia de pensamentos que visam à profundidade.

Contemplo uma paisagem interna que, apesar de você, se mostra cheia de fé, cheia de esperança. Uma árvore retorcida, não convencional. Um ser que lamenta e chora, mas que vive a espiritualidade a partir de si mesma. Que pensa, indo para o lugar aonde irá se encontrar. E se encontra.

Paro um momento. Vejo que teu semblante está abatido essa semana. E pergunto: "Você está bem?" Você apenas vira o rosto, com o olhar cansado, e diz baixinho a mesma frase que fora repetida mais de vinte e duas vezes: "Puxa, como é que eu posso ser tão...?”

“O choro do arrependimento é muito válido, o temor é relevante nos meus dias". Esse som ecoa no ar. "Isso faz muito sentido para mim", diz você com os olhos brilhando, emocionada, quase chorando. Eu sorrio, junto com as outras três pessoas que chegam diante da sua organização, da sua fortaleza.

Lembrarei de ti, cara amiga. Por quê? Mania a sua de querer saber os porquês... Eu sei. Eles dão sentido às conversas. Talvez seja por isso que sentirei tua falta. Por causa do sentido. Apesar de achares que as coisas que você fala não fazem diferença, para mim fazem... Eu acho.

Sentirei saudade porque você é minha amiga. Porque você é meu exemplo. Porque choraste comigo. Porque foste sincera e dura ao dizer. Porque você me consolou. Porque você é você, e não tem "porquês" pra dizer quando alguém é especial. Você é especial pra mim. E uma reta, um ponto. Final.