
No mundo do "era uma vez", eu encontrei um príncipe. Ele se tornou meu grande amigo e o seu nome era Phil. De todos os príncipes existentes, ele era o menos encantado, mas era justamente isso que me encantava nele. Um garoto cheio de medos e sonhos. Um garoto real, nos dois sentidos da palavra.
No período em que estive com Phil, percebi que ele inspirara várias histórias de contos de fadas. Algumas que ele mesmo havia escrito. Costumo dizer que ao invés de maldições, como a da maçã de Branca de Neve ou a do sono profundo, posta na Bela Adormecida, ele recebeu um belíssimo dom. Em sua terra é conhecido como "Senhor dos Poemas". Nunca se viu alguém que fosse capaz de brincar com as palavras e fazê-las dançar tão dentro da música como ele (a não ser sua irmã gêmea, que adora brincar de ser feliz). Você não consegue conter a lágrima quando ele cisma em recitar contos de amor.
Aprendi muito com o príncipe, quando passeei ao seu lado pelo mundo dos espelhos. Sem usar uma só de suas palavras mágicas, percebi nele o que um dia uma raposa havia dito a um pequeno príncipe: "só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos". Poderia dizer que quando conheci Phil imaginava-o como um suricato. Conheces um suricato? É um bichinho magrinho, desconfiado de tudo e todos e que adora se esconder quando escuta qualquer som no gramado, que cerca sua toca. Na verdade, ele não gosta muito de se esconder, mas se não o fizesse morreria pelo seu próprio medo de ser engolido por uma hiena, estando fora de seu mundinho. Os suricatos, a primeira vista, não parecem se divertir. Tem uma expressão séria, sempre buscando se proteger. Foi o que imaginei quando coloquei os olhos em Phil. Mas como diria a mesma raposa "por que não tentas ver com o coração?"
Arrisquei por experimentar isso. E foi uma das melhores experiências pelas quais passei. Ele me cativou. Phil não era a pessoa sisuda que aparentava ser, nem possuía tantos medos assim. Era apenas cauteloso e gosto disso nele. Se eu continuasse com a mesma impressão do início não viajaria em suas belas histórias, pois nunca as leria. Tem um humor singelo e acho que seu reino será um dos mais felizes quando se tornar rei.
Agora... Preciso confessar uma coisa. Não foi a beleza, percebida com meu coração, da alma deste príncipe não-encantado, que me fez sorrir. Eu sorri, e continuo sorrindo, ao saber que Phil é meu amigo. Ele não é mais "um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos". Ele é o garoto, que se tornou o amigo. O meu amigo suricato.
Torço por seu reinado, querido amigo... Torço por seus sonhos... Torço pelo seu final feliz.

