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16.2.09

o que você faria...?

... Se sua irmã te acordasse ainda de madrugada, pulando em você, só para te desejar feliz aniversário, antes de sair para a aula?

E se a luz dos mais belos raios do sol entrassem, aconchegadamente, por entre as frestas da janela do quarto e dessem o bom dia mais feliz que você já teve? Afinal cada último "bom dia" recebido é o mais feliz que você já pôde receber, pois mostra que para você e para quem o desejou ainda é realmente dia, e este pode estar repleto de inúmeras delícias, todas elas com o objetivo de construir uma vida mais sábia.

E se as mais belas palavras fossem cantadas a você, depois de um profundo silêncio em prece, e elevasse sua alma a estar mais próximo do Senhor de todo o universo?

E se você se sentisse a pessoa mais privilegiada por poder sentir os braços desse onipotente Senhor de Tudo, te carregando e fazendo você andar por sobre as águas?

E se você tivesse um horário marcado para passear com sua super-mãe, e ela te desse o mais agradável de todos os perfumes: seu amor em um abraço?

E se o ancião da sabedoria, pai do seu excelentíssimo pai, ligasse só pra te desejar o "Feliz Aniversário" mais animado do dia?

E se seu próprio pai se achegasse a você, procurando de colocar no colo, enquanto está assentado em seu trono do lar, e desejasse um "parabéns" de olhos fechados enquanto te abraça?

E se você visse o amor e alegria personificadas em inúmeras pessoas, que separaram um pedacinho do seu tempo só para desejar-te borboletas em um dia especial?

E se você visse que seu dia está só na metade e que há a possibilidade dessas borboletas realmente invadirem seu quarto e continuar fazendo do seu dia o mais feliz?

O que você faria?

Bem, você eu não sei... O que sei é em mim um sorriso seria esboçado e trataria de construir um novo baú de tesouros e guardaria para sempre esse dia na memória...
Mais uma vez, tem sido um Feliz Aniversário para mim!

:)

5.2.09

Ao descer do Monte, o grande Vale


Foto: Lucas Rolim


Vejo-me, neste instante, dividido em dois homens. Ambos decidem tomar caminho rumo ao Vale, visto já ser findo o tempo por sobre os montes.

Ah! Como foram doces as horas lá em cima. Os silêncios trouxeram, várias vezes, as estrelas para mais perto e o sorriso acompanhou o movimento da lua minguante. Os olhos brilharam como sol ao ver a aurora da esperança raiar por entre as árvores. Chuva de graça foi o que experimentou esses homens que são dois, quando eles eram um no tempo da contemplação, em que me vi. Descobri a arte de andar por essa chuva e desfrutar do sabor refrescante das gotas que caem no coração. Que poder de cura tem essas gotas!

Foi possível experimentar quão bom era o par de asas dadas pelo meu Grande Poeta. Nunca me vi voando tão alto e tão seguro... Com as asas, foi possível até apostar corrida com os ventos e seus cavalos, depois de dançarmos suave e contidamente. Os cálices guardavam os sabores das mais doces bebidas já provadas. Sentir-me-ia embriagado, se não fosse pela lucidez que as próprias bebidas concediam a mim. Fartei-me do mais precioso manjar, na companhia dos mais nobres príncipes e princesas. O grande Rei, Aquele que inspira a Luz do Sol, foi o nosso anfitrião por todos esses dias. Estava nele toda a alegria que sentíamos, todo o consolo que precisávamos, toda esperança e força que aspirávamos.

Pois é... Hoje se findam os tempos nos altos montes. E realmente vejo-me divido em dois homens que caminham rumo ao Vale. Um possui o semblante ainda sorridente, cantarolando as saudosas canções, recitando poemas de amor e sorrindo para tudo que encontra. Até na pedra esse homem consegue ver beleza. Ele é o responsável por guardar o par de asas e guardar a receita do manjar, aprendida no passado tempo. Usa ao pescoço um colar de estrelas... Eram no mínimo cinqüenta e cinco estrelas. Caminha em direção ao Vale, sonhando encontrar novos montes. E seus olhos anelam o cumprimento dessa profecia.

Não é tão belo o semblante de meu outro ser. O outro homem, que segue também em direção ao Vale, traz um olhar apreensivo, quase amedrontado, como se já soubesse que aquilo que o espera será completamente diferente daquilo que viu todos esses dias atrás. Ele leva na mão, com cuidado, um espelho que ganhou de presente do Grande Anfitrião. Logo, ele sabe do impostor que pode aparecer a qualquer momento. Esse homem guarda em uma caixa de madeira toda bordada, que foi colocada próxima ao coração, as poesias escritas com lagrimas da realidade de sua vida antes do tempo dos altos montes. Na mochila, ele tem um álbum de fotografias e todas elas são em preto e branco. Qualquer um que as visse diria a mesma frase: “a imagem que mais me amedronta é a da Morte lutando contra o Mercador Veneziano (dono do maior baú de máscaras de carnaval já visto até os dias de hoje)”. É arrepiante ver que lá embaixo esse homem terá a árdua tarefa de usar as gravatas monocromáticas, que já lhe são estendidas pelos braços de uma velha chamada Responsabilidade, e terá de pintá-las com cores, que a esta não agrada, mas que combinam com a cor das roupas que o Poeta lhe deu.

Dois homens que me traduzem e dizem da ambigüidade, do conflito do meu ser diante do grande Vale. Dois monstros que me perturbam, me afligem e me provam. Dois anjos que me alertam, me acalmam, guardam marcas que podem salvar uma vida. Dois lados, uma moeda, um vale, um clamor: “Grande Poeta, não deixe de derramar daquela doce chuva mais uma vez!”