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21.9.08

gosto da transição


Hoje eu gosto da noite
Gosto do som do meu coração
Apertado
Engastado
Gosto do sofrer de um instante
Vazio
Sem vida
Gosto da lagrima caida
Suspiros
Soluços
Gosto da solitude no breu
meu eu
sem eu
Gosto do passar do tempo
Madrugada
Silêncio
Gosto da esperança do amanhã
Do vento
Sereno
Gosto dos seus dedos em minhas lagrimas
Paz
Abrigo
Gosto da vida que me traz
Manhã
Do Sol
Hoje gosto do novo dia

16.9.08

morte e silêncio



Hoje estou de luto

Por um amigo que morreu

Ele não morreu por inteiro

Mas uma parte do seu coração foi arrancada pela morte

Não a sua morte

Mas a de alguém que era sua parte


E por isso

Silencio-me

Pois no luto não deve existir palavras

Todas elas não são capazes de trazer da morte alguém

E por isso,

Em silêncio,

Tento romper minha bolha de egoismo

E deixar sangrar em forma de presença

O consolo ao meu irmão

Hoje sangra quem era são

chora quem sempre fez os outros sorrir

morre quem era vivo

E eu, mudo, clamo

"Oh grande Poeta,

Torne o que chora bem aventurado...

Dê-lhe o seu sereno consolo..."

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"Hoje eu acho que um momento pode valer mais que uma vida inteira"

Meu amigo

10.9.08

organizando "meus quartos"

Hoje de manhã eu acordei. Pude perceber como meu quarto estava bagunçado. Existiam roupas espalhadas. Algumas limpas, outras sujas... Era difícil distinguir qual era qual com aquela desarrumação. Meus livros, tanto os da universidade quanto os não acadêmicos, cada um em um lugar da casa ou desorganizados na estante. Meu lençol e coberta sujos com meu suor, por há muito não trocá-los. Tênis, meias, moedas, papéis, portas, gavetas, tudo estava lá, mas não nos lugares devidos.

Meu coração também acordou e se identificou. Tudo onde não deveria estar. Meu coração se envergonhou primeiro e percebi que o que meus olhos viam era o reflexo do meu quarto interno. A vergonha tomou posse de todo meu ser e meu todo afirmou em uníssono "é hora de arrumar o quarto". Comecei da cama. Sempre tive a impressão de que a cama arrumada ja dava um ar de mudança. Passei, depois, para o armário, dobrando o que devia ser dobrado, pendurando blusas e algumas calças, fechando gavetas e portas. No criado mudo, folhas jogadas fora, arquivos guardados sobre o armário e cadernos alinhados aos olhos. Os tênis devidamente postos atrás da porta e as meias, claro, junto com as roupas sujas. A mesinha com a TV: perfume e desodorante, um do lado do outro e as moedas para dentro do cofre. Catando os livros pela casa, organizei-os em uma ordem minha: primeiro os meus, depois os que eu tinha que ler e devolver para os donos, em seguida os da minha mãe. Na estante debaixo, todos relacionados com Administração. Pronto. Agora é só manter.

Seguindo o exemplo, meu coração se dispôs a fazer o mesmo com meu quarto interior. Alguns papéis jogados fora, outros devidamente arquivados. Algumas portas foram fechadas, outras continuam abertas por terem problema na fechadura (Meu Poeta é chaveiro também. Talvez ele conserte essas portas). Os livros também foram reorganizados. Não todos. Mas os principais receberam um lugar especial. Dei até uma folheada em um deles... Chorei. Fui consolado. Continuei arrumando a bagunça. Pronto. Agora é só manter.

Hoje não foi o melhor dia, mas foi gratificante ver essa arrumação toda. Fiquei satisfeito ao fazer minhas atividades sabendo que meus quartos foram e estão sendo organizados.

Cheguei em casa a noite. Deitei em minha cama organizada. Fechei os olhos e esbocei um sorriso: fiz um bom trabalho hoje! Então abri os olhos e os mirei para o chão: algumas meias espalhadas e duas blusas.

Acordei novamente. Agora, não so meu coração, mas minha mente também. Estou passivo de sempre desorganizar "meus quartos". Não sou um super-homem organizador de quartos. Se o fosse não o precisaria arrumá-lo de manhã. Se o fosse não veria minhas meias e blusas no chão. Entristeci-me, assim como meu coração e minha mente. Mas nesse instante ouvi a voz suave (parecia a do Meu Poeta): "você também não é um super-porco, desorganizador de tudo. Se o fosse não se incomodaria com a bagunça nos "seus quartos". "Você é um simples ser humano" prosseguiu a voz, "nem mais nem menos".

Acordado, então, percebi que meu foco, como um simples ser humano, é simplesmente buscar manter a última organização feita. Acho que essa é a parte mais difícil. Mas parece ser mais fácil quando se está acordado.

Pronto. Agora é só manter.

1.9.08

apenas um desenho


tudo é como fumaça...