
Imagem: Alessandro de Souza
Arrisquei-me a parar por instantes, diante da imensidão de águas do atlântico, e apenas observar. Percebi o quão graciosa é essa dádiva, o observar, e como é perfeita a combinação do absorver a beleza do que é natural ao som do silêncio.
De tardezinha, sob os últimos e tímidos feixes de luz do grande astro, que se põe no horizonte às minhas costas, meio as núvens. O espetáculo de luzes pinta um céu sereno e tranquílo, à direita da Bahia (quando se está de frente para o mar).
Já é possível ver a lua crescente, mostrando seu belo sorriso para a noite que vem chegando.
À minha frente, o encontro perfeito da imensidão verde das águas com o vel totalmente azul, que se estende sobre a cabeça, manchado por poucas e suficientes nuvens brancas.
E ao fundo, à esqueda, nuvens escuras, já não mais donas do brilho do sol, mostram sua explendorosa beleza cinzenta, que sobrepõe como colcha fofinha boa parte do que se vê ao longe, o oceano.
Os ventos brincam de acariciar meu rosto e balançar minha roupa e cabelos, quase em um convite irresistível a uma dança pelos ares.
Tinha certeza de que, se fechasse os olhos e inspirasse fundo, seria capaz de cortar os céus e seguir as aves. Poderia continuar contemplando àquela vista bonita de cima e viajar mundos, embalado ao som da brisa e iluminado pelos móbiles de estrelas, que iam sendo pendurados pelo Senhor do Dia e da Noite.
Pena que fiquei de olhos abertos, ansioso demais para contar a alguém o que senti, e não pude voar como sonhara...
Espero ser mais silencioso e paciente da próxima vez em que a serenidade e a beleza da natureza sentarem ao meu lado, convidando-me a sonhar em uma tarde deliciosa de verão.
