25.3.09
A música tem sido minha voz. Pelo menos quando não há som de mim. Quando não há apologéticas dissonantes, desafinadas dialéticas, ou um viver em falsetes. É boa a canção melodiosa do silêncio, principalmente quando acompanhada da voz Daquele que realmente sabe cantar (e que precisa cantar). Principalmente quando a canção é regida pelo Grande Maestro.
A música do silêncio e seu Inspirador constrangem-me a deitar em sentimentos diversos, o que não é possível quando me vejo em palco, diante do barulho de meus aplausos a mim mesmo. Embalado naquela diversidade de sentimentos, choro as notas melancólicas, que me fazem sábio e bem aventurado. Desfruto do doce que são as flautas de alegria, que embalam o meu espírito a uma progressão de ritmo. Sinto a percussão me cobrando disciplina, não deixando o compasso de quatro tempos se perder por entre os arranjos, que se arranjam em meu eu desafinado.
Diante da riqueza de tanta arte musical, não sei por que insisto em continuar soprano, baixos e horrores, dando contr(a)altos sonhos que se encaixam perfeitos em meu destino. Tentando atingir notas que só meu Músico consegue atingir. Não sei por que no tempo da pausa dou uma de regente adiantado – logo, mau regente. Sem seguir a partitura, arraso o que deveria ser belo, calmo, sereno, tranqüilo.
Contra este contra-canto, em forma de belo canto, canta no limite do tom minha alma silenciosa, como clamor pela melodia perfeita. Traduz-se meu cantar em prece e faz-se pedido por viver sempre dentro do perfeito compasso da sinfonia escrita para minha vida.
Caminho para a finalização musical, encerrando com as notas certas: assim seja, pelo nome do Musicista maior.
15.3.09
Alto Mar
Ainda no porto me sinto seguro
Mas o tempo é chegado
E está na hora de partir
A infinitude do espaço
Inebria a alma
Constrange o lançar-me ao mar
Por trás de quais ondas?
Onde se encontrará meu caminho?
E eu que sou tão frágil e pequeno…
Diante do espelho d’água
Reflito-me a mim mesmo
E reconheço o ser ínfimo que sou
Posto que minha pequenez define meu ser
Torno-me dependente de quem pode me guiar
Sendo as mãos do Deus dos mares, meu capitão
E a onisciência de seu Espírito, meu leme
Eu, em minha limitação,
Torno-me um desbravador
Com sua presença sempiterna,
Por sobre as ondas,
Sinto-me aventureiro
Em infinitos, que nunca fui capaz de sondar
Embalado ao som dos ventos dançantes
Que horas bailam valsas e brisas de esperança
Que horas sapateiam sobre a tripulação
Errantes e inconstantes
As ondas que fazem fremir a alma
Tornam-se músicas de ninar
E o porto, seguro, protetor,
Passa a andar comigo
Com destino certo:
Salva(a)dor de outros
Tu que és meu Salvador
Não me atrevo a recusar a viagem
Desde que tu sejas meu leme
Sentir-me-ei seguro
E a viagem terá rumo
E o mar será quieto
Terá paz
quem me pediu para tentar escrever algo sobre o
Evento EMEP (Encontro Missionário
Estudantil e Profissional) que aconteceu no
Carnaval deste ano
(Poema também postado no blog da ULTIMATO)
8.3.09
Poema da chuva
Adoro aquele som...

Paro de ler por um instante.
Fecho os olhos e tento imaginar:
Como é molhada,
E fresca,
E doce
A serena chuva que cai
Lá fora.
Como finos grãos de arroz em um pratos de prata.
Som cheio,
Suave.
Enche minha alma de música
E refresca o espírito queimado pela angustia.
Lava o sabor salgado da tristeza nos olhos.
Faz fértil a imaginação de criança,
Antes adormecida.
Desperta o moleque em mim,
Que abre agora os olhos
E sai pra experimentar o real,
Que desfrutou, antes, em sonho.
Pula em poças,
Dança em gotas,
Nada em lama,
Vive no espaço,
Senti-se feliz!
Não há mais calor,
Não há mais prisão,
Não há só choro,
Há um arco-íris
Pintado entre nuvens,
Aquelas de algodão.
Não há ar seco,
Não há sufoco,
Talvez saudade,
Mas há beleza,
Há leveza,
Há liberdade,
Há mais chuva
E que doce ela é.
Deito molhado,
No chão molhado,
E espero passar
Os pingados no rosto.
Pois tudo passa!
O choro passa...
É, o sorriso também.
Mas a riqueza daquele,
A lembrança deste
São como a chuva.
Que germina a terra,
Mesmo que ela (a chuva) passe,
Mais quando o sol nasce,
Intensamente quando Deus sorri.

