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9.1.09



Arrisquei-me a parar por instantes, diante da imensidão de águas do atlântico, e apenas observar. Percebi o quão graciosa é essa dádiva, o observar, e como é perfeita a combinação do absorver a beleza do que é natural ao som do silêncio.

De tardezinha, sob os últimos e tímidos feixes de luz do grande astro, que se põe no horizonte às minhas costas, meio as núvens. O espetáculo de luzes pinta um céu sereno e tranquílo, à direita da Bahia (quando se está de frente para o mar).

Já é possível ver a lua crescente, mostrando seu belo sorriso para a noite que vem chegando.

À minha frente, o encontro perfeito da imensidão verde das águas com o vel totalmente azul, que se estende sobre a cabeça, manchado por poucas e suficientes nuvens brancas.

E ao fundo, à esqueda, nuvens escuras, já não mais donas do brilho do sol, mostram sua explendorosa beleza cinzenta, que sobrepõe como colcha fofinha boa parte do que se vê ao longe, o oceano.

Os ventos brincam de acariciar meu rosto e balançar minha roupa e cabelos, quase em um convite irresistível a uma dança pelos ares.

Tinha certeza de que, se fechasse os olhos e inspirasse fundo, seria capaz de cortar os céus e seguir as aves. Poderia continuar contemplando àquela vista bonita de cima e viajar mundos, embalado ao som da brisa e iluminado pelos móbiles de estrelas, que iam sendo pendurados pelo Senhor do Dia e da Noite.

Pena que fiquei de olhos abertos, ansioso demais para contar a alguém o que senti, e não pude voar como sonhara...

Espero ser mais silencioso e paciente da próxima vez em que a serenidade e a beleza da natureza sentarem ao meu lado, convidando-me a sonhar em uma tarde deliciosa de verão.

1.1.09

Gênese do ano

Foto: Lucas Rolim

O Senhor do Tempo se levantou mais uma vez e com sua imponente voz, diante dos mares atlânticos, gritou aos quatro ventos: "Que recomece a contagem dos dias. Seja criado o novo ano dentro do espaço e do tempo dos mortais".


Meu coração se encheu de alegria, abriu um sorriso. Como o céu, meus olhos se encheram de estrelas e meu Poeta sussurrou uma canção de esperança em meus ouvidos: "Tome esse novo par de asas e voe mais alto comigo dessa vez".


Acho que esse ano promete muitos contos mágicos.