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31.3.08

mundos azuis



Estrangeira do mundo real
Vem visitar,
Só de passagem ,
Um mundo que não é seu

Qual seria seu mundo Dandara?
O mundo da música alta
Que te leva a dançar em meio a multidão de sozinhos
Que faz dar passos profundos
Relutantes, verdadeiros sobreviventes
O mundo das aparências
Mas as mais belas possíveis
- Só ela que não percebe as vezes -

O mundo dos sonhos
Todo azul
Que, graças a Deus,
Nunca terá fim
O mundo onde a gente é sonho
E os sonhos são leves
Como a pena
Que de leve é levada pelo sopro
De um vento calmo e sereno
- A única coisa real em seu mundo -

O mundo dos olhos abertos
Que percebe o incerto a distancia
Fareja o medo e se esconde
Dos reflexos,
Dos seus sentidos,
Da culpa
Dos erros
- Ufa, hoje é vivo o seu Redentor -

Ainda de passagem
Vê estranho o mundo alheio
Mundo que tem medo de viver
E nele me encontra
E te encontro
Coincidência!
- Também não vou ficar -

Porque tenho o meu mundo
Que por verossimilidade
É azul
Mas é de outra galáxia

Mundos iguais em um mundo estranho
Fico feliz por sermos irmãos!

29.3.08

alberto drummond



Empreste-me seu telescópio?
Deixe-me ver seu mundo?
Mundo, mundo, vasto Mundo
Sei que seu nome não é Raimundo
E a solução não é, mesmo, ser chamado assim

Tens nome próprio
Mas a alma é do Grande Poeta
E não me refiro ao poeta das pedras
Aquelas do meio do caminho
E sim ao Poeta dos espinhos
Que pela dor e o pensar faz seu mundo ser mais mundo

Realmente vasto e profundo
Mais extenso que as ruas de Itabira
Suas ruas, que te fazem um humilde orgulhoso
Não de ferro
Mas de um coração sentimento

De dor dos números
E graça das letras

Gire, grande e sábio mundo
Não precisas ser gauche na vida
Apenas ser Ilustre
Grande lustre de ser você
_____________________________

Uma homenagem a meu amigo Alberto que faz Aniversário amanhã
Feliz Aniversário
Alberto!

25.3.08



Hoje eu dei a mão para o Poeta e disse
Por favor, me ensine a voar
Leve-me desse mundo
Que é pesado
Dê-me algo leve
que eu consiga carregar
E sorrir

Quero que minha alma sossegue
Em meio a grama verde
De flores e várias cores
Busco o doce sabor do mel
Vindo de suas belas rimas
O bom sabor do chocolate
Advindo de grandes amores
O seu amor

Dei a mão para o Poeta e disse
Por favor, vem me abraçar
Ensina-me os seus versos
Que me inspiram a viver cantando
Faz da minha fraqueza força
Ajuda-me a viver sonhando
E a esperar

Dê-me sua mão também, Grande Poeta
Lute contra os dragões por mim

20.3.08

Καλο Πασχα!!!*


*Feliz Páscoa!!!

sugestão de leitura:
Blog do Lissander
Isaías 53
Os três textos anteriores (rsrs)

Ημερολογιο παθος* - Terceiro dia



* Diário (calendário) da paixão

Já haviam se passado alguns dias desde a última vez que escrevi. Hoje é dia 14 do mês Nissan, primeiro dia da festa dos מַצָּה (pães asmos). Recolhemos todos os pães fermentados de manhã e fizemos uma fogueira, como era de costume. E desde então, foi iniciada a preparação para a festividade, que ocorreria a tarde.

Enquanto tudo era preparado, um dos nossos ajudantes foi até o centro da cidade recolher água. Quando voltou, fui até ele, à porta, para ajudá-lo. Neste momento, vieram ao meu encontro dois homens bem conhecidos para mim. Eram discípulos de Yeshua. Fiquei super feliz com a visita deles. Minha alegria transbordou no momento em que eles me perguntaram se o Rabi poderia cear a Pessach junto à minha família e qual poderia ser o local. Não demorei a responder que seria uma honra para mim e os levei a um cenáculo, que possuía mobília e um bom espaço. Um deles foi avisar aos outros enquanto o segundo ficou para me ajudar com o restante dos preparativos.

Ao entardecer, o restante dos discípulos e Yeshua chegaram a minha casa. Minha esposa os conduziu ao espaço separado para a celebração e eu os aguardava no devido local. Eles se assentaram e tiveram uma atitude bem informal. Foi muito interessante. Senti como se minha família crescesse repentinamente. O ambiente era todo familiar. Eu apenas meditava no coração o que ali ocorria.

Naquele momento de festa, Yeshua pediu a palavra. Ele disse que estava muito feliz por celebrar a Pessach com seus discípulos, pois esta seria a ultima vez. Todos ali sabiam que ele falava sobre sua morte. E eu continuava sem entender. "Porque alguém como Yeshua iria se entregar à morte? Ele não fez nada!". Depois disso, ele fez uma coisa inesperada. O ser mais importante naquele instante virou pra mim e me pediu uma vasilia com água e uma bacia. Enquanto eu pegava, pediu a seus discípulos que tirassem as sandálias. E começou a lavar os pés de cada um. Petros achou humilhante a atitude do Nazareno. Acredito que todos esperavam uma explicação e foi isso que ele deu, após ter acabado. Ele disse que todos o chamavam de mestre e senhor e ele realmente o era. Mas mesmo ele sendo senhor, se dispôs a lavar os pés de cada um e cada um deveria fazer o mesmo com o próximo. Amar da mesma forma que ele, o Rabi, os amou. Após ele ter feito e falado essas coisas seu semblante mudou totalmente. De um sorriso sereno e tocante para uma afeição de agonia, como se lamentasse o que iria dizer. "Um de vocês irá me trair". Todos que comiam, engoliram a seco e os que acabaram de levar o cálice à boca engasgaram ao ouvir a afirmação do Rabi. Apenas Yehudhah (Judas), permaneceu normal, sem se assustar com a afirmação do mestre. Simplesmente levou a mão ao prato, do qual Yeshua iria tirar um pedaço de pão. Este pedaço o Rabi molhou e entregou a Yehudhah. Este o questionou "Acaso sou eu?". O Rabi olhou em seus olhos e respondeu positivamente, pedindo para que ele fizesse o que tinha de ser feito o mais rápido possível. Yehudhah saiu da sala no mesmo instante, um pouco alterado.

Durante a maior parte da noite, depois do que aconteceu, o mestre continuo falando sobre amor. Eu não sei como ele conseguiu. Se fosse eu, pararia a celebração naquele instante. Imagina você estar o tempo todo com uma pessoa que iria lhe trair? E o mais cabuloso é lavar os pés dessa pessoa, com amor, como se ele não fosse fazer nada. Isso tudo me marcou muito. E a pergunta soava mais forte ainda. "Porque ele precisaria se entregar?"


Ημερολογιο παθος* - Segundo dia

* Diário (calendário) da paixão


Hoje é dia 8 do mês Nissan. Minha alma foi acarretada por uma variação intensa de sentimentos. Eu estava mais calmo de manhã. Uma paz muito estranha me envolveu essa noite e me fez dormir profundamente como criança. Acordei e fui trabalhar, como sempre. Mas fiquei a imaginar o que Yeshua estaria fazendo. Não passava na minha cabeça a possibilidade dele estar com medo. O pouco que o acompanhei dava para sentir que ele exalava coragem e esperança. Ele realmente era diferente. Não poderia ser apenas um profeta qualquer. Caso isso fosse verdade, poderíamos sim considerá-lo um louco, pois de certa forma o Rabi desafiou aqueles que dizem ser representantes de Deus. Ele desafiou toda uma cultura. Ou ele realmente é quem ele diz ser, ou eu e um monte de gente caiu como patinho na sua conversa. Mas não acredito que ele tenha feito isso. É perceptível sua sensatez em todas as suas atitudes. Tudo nele faz sentido.

Na metade da manhã, Aaron, um companheiro de trabalho, veio correndo da cidade, muito eufórico. "Yeshua está chegando!". ירושלם (Yerushaláyim) estava lotada por motivo da Pessach e, segundo Aaron, todos estavam indo ao encontro do Rabi com folhas de palmeira e gritando הושענא (hosanna) e dizendo ser ele o Rei de Israel. Meu coração se encheu de esperança pela notícia. Deixei o que estava fazendo e resolvi ir a sua direção. No caminho o sentimento de alegria foi substituído por uma preocupação muito grande: "Com certeza os mestres da lei estão esperando Yeshua na grande festa, como uma armadilha", pensei.

Não parei de correr. Finalmente cheguei ao centro de Yerushaláyim. Uma multidão dividida apenas por uma via estreita, onde se esperava que passasse o Nazareno. Meu coração parou por um segundo, assim como os corações de toda aquela gente. E assim que o vimos, em uma só voz gritamos "Bendito o que vem em nome do Senhor!". O Rabi passava montado em um jumentinho, calmamente. Seu sorriso era terno e seu olhar penetrante. Mesmo havendo muita gente, de uma forma espantosa, ele conseguia fazer cada um se sentir importante. Isso me empolgava mais ainda a dizer que ele era o Rei. O meu Rei. Mesmo ele não se apresentando como um. Nunca imaginaria um rei em um jumentinho e em roupas tão simples quanto as dele.

Aquele dia foi emocionante.

Ημερολογιο παθος* - Primeiro dia


* Diário (calendário) da paixão

Eu realmente não queria escrever sobre isso. Nunca em minha vida. Mas a angústia é muito grande e preciso desabafar com alguém o que acabo de assistir, mesmo que esse "alguém" seja um caderno velho. Hoje é dia 7 do mês Nissan. Faltam apenas sete dias para o פסח (Pessach). Achei que os respeitáveis líderes da lei estavam se reunindo para a preparação da grande festa, como acontece todo ano. Mas aquela movimentação estava muito anormal.

O Rabi tinha acabado de fazer algo assombrosamente maravilhoso. Nosso amigo Lázaro, que havia morrido há três dias, foi ressuscitado! Aquilo me impactou de uma maneira super profunda e minha alma se voltou totalmente à autoridade que o Nazareno passava. Apesar de estar admirado e intensamente comovido, meu coração e meus olhos, repentinamente voltaram à atenção para algumas pessoas, que se mostravam com certa reprovação diante da atitude do Rabi. Eram uns três ou quatro. Pareciam ser amigos de alguns dos escribas. Acredito que há tempos eles vinham seguindo o mestre, mas sempre com desaprovação. E após esse grande acontecimento, não foi diferente. Com o semblante confuso, misturando sentimentos como temor e raiva, eles se apressaram em se retirar daquele local. A partir desse momento, não sei o que aconteceu comigo, fui levado a seguí-los. Algo não me cheirava bem...

Procurei não ficar a mostra e tentar acompanhá-los. Realmente eram amigos de alguns dos lideres da lei. Tinha a impressão que se encontraram somente para contar o milagre realizado pelo Rabi. Com um ar de desaprovação, os fariseus comunicaram aos principais sacerdotes e, juntos, convocaram o סנהדרין (Sanhedrin ou Sinédrio). Engoli seco na mesma hora. "O que será que eles irão fazer com Yeshua?" pensei comigo mesmo. Tentei me acalmar lembrando das coisas maravilhosas que o mestre havia feito e que com tanto poder seria capaz de sair dessa. Só que meu esforço não foi suficiente. Eu sabia da existência de muita gente ambiciosa no meio do Sanhedrin e eles não mediriam esforços para acabar com a raça de qualquer um que pudesse representar uma ameaça.

Apesar de não ter participado da reunião, consegui ouvir a discussão tensa que acontecia no Templo. Não sabia que reação tomar quando ouvi alguém dizer "A única solução é matá-lo". Indignação foi o único sentimento que veio em meu coração. "Seus covardes, ele não fez nada de mau", pensei baixinho enquanto uma lagrima corria. "Será que dizer a verdade é um crime agora?”.

Nunca corri tão rápido igual àquela noite. Tentei avisar ao máximo de pessoas que eram próximas do Rabi. Um dos discípulos me acalmou e disse que tudo ficaria bem. Graças a Yahweh, Yeshua foi para um lugar mais escondido. Mas algo me dizia que ele não se esconderia por muito tempo. Aliás... Agora me recordo. O mestre uma vez disse publicamente "O Filho do homem está para ser entregue nas mãos dos homens; e estes o matarão; mas ao terceiro dia ressuscitará." Eu não entendo o que o Nazareno queria dizer com isso?

9.3.08

óculos e mundos


Foto: sxc.hu

Todas as pessoas possuem mundos em formas de caixas. Cada caixa tem sua forma, construída através das impressões adquiridas pelo seu arquiteto ao longo dos anos. Em todas as laterais de cada mundo encontram-se, pelo menos, dois buracos que moldam o jeito de enxergar o universo das caixas.
Em uma das minhas viagens, ouvi...


Convido vossa senhoria a entrar no meu mundo e enxergar como eu abstraio o que é real. Na verdade, antes de você entrar, tenho de lhe fazer uma pergunta muito importante: o que é o real?

Esta é minha realidade:

Vejo as pessoas, os seus mundos, os animais e o ambiente em que estamos através de buracos em forma de estrelas. Chego a me emocionar quando o que vejo completa perfeitamente o buraco pelo qual observo a realidade. Dou-me muito bem com os mundos em formas de estrelas.

Tenho problemas com os mundos cúbicos. As pessoas que vivem nesses mundos parecem ser muito quadradas, só pode. Os cubos não se encaixam nas estrelas. Alguns triângulos, dependendo de seus ângulos, é até possível relevar. Mas os cubos, definitivamente, deveriam ser reconstruídos ou não existir mais.

Eu até tenho pena deles. Uma vez eu construí alguns óculos estrelares para serem distribuídos gratuitamente aos cubistas, no intuito de melhorar pelo menos um pouco o modo deles verem a realidade. Mas os ingratos disseram estar satisfeitos com sua visão.

Cabeças duras! Por isso não evoluem. Eu apenas lamento. Espero que um dia eles acordem e vejam o quão cegos estão.

Ei, vossa senhoria já vai se retirar? Tudo bem, não vou forçar ninguém a ter a mesma idéia que eu tenho. Afinal, vivemos em um espaço de caixas livres. Mas, me diga, de que caixa você é? Engraçado você não estar em nenhuma caixa. Não se sente desprotegido? Se eu fosse você, eu construiria logo uma caixa em forma de estrela. Ninguém nem chega perto da gente.


Virei-me e passei a andar. Não era difícil imaginar o porquê de ninguém chegar perto de tal tipo de pessoa. O pior é que não duvido nada de que todos os arquitetos de todas as outras caixas pensem da mesma forma, apesar de cada um na sua fôrma. Espero não estar usando nenhum óculos ou estar em nenhum mundo pré-formado para ter afirmado isso...

Revisado por minha amiga Monique :)

8.3.08


Foto: sxc.hu

Vejo o mundo rodar e pirar
Embalado na sua correria vil
De som ensurdecedor

Talvez seja por isso que ninguém escuta os gritos
Da alma que foi quebrada
Do Homem que ama incondicionalmente

O mundo só corre!

Mas o que importa?
Se o meu mundo é o mais atraente
Se meu ritmo é o mais envolvente
Se os meus passos devem ser cronometrados
E milimetricamente bem compassados...
Não há tempo!

Só corro!

Socorro...
Talvez essa seja a palavra que é cantada enquanto vivo
A palavra que escorre entre os lábios espremidos por um falso sorriso
A palavra que escorre junto a lagrima timidamente derramada

E em um segundo,
Diante dos meus olhos
Tudo se congela.
E a minha lágrima é descoberta
E vai-se embora
Sou consolado ao ouvir o som das asas de uma Borboleta Azul
Que dança em meio ao caos

...

Não sou mais surdo agora
“Veja, Oh! Tu que estás de pé...
Cuidado para não cair novamente!”
Não quero ser mais surdo...
Nunca mais.